As chuvas frequentes nas principais regiões produtoras de cana-de-açúcar do Centro-Sul estão reduzindo o ritmo de moagem e pressionando os preços do etanol e do açúcar. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a menor disponibilidade dos produtos tem sustentado as cotações no mercado.
No caso do etanol, os preços registraram forte alta no mercado paulista nos últimos dias. Volumes expressivos de chuva comprometeram a colheita da cana e o transporte da matéria-prima até as unidades industriais, limitando a disponibilidade imediata do biocombustível.
Agentes consultados pelo Cepea relatam que algumas usinas estão com a moagem paralisada e ainda não têm previsão definida para a retomada das atividades.
A situação aumenta as preocupações sobre o restante da safra. Entre os possíveis impactos estão atrasos na entrega de contratos e o prolongamento do período de moagem. Nas áreas mais afetadas pelo excesso de umidade, parte da cana pode permanecer no campo para ser processada apenas na próxima temporada.
A previsão de novas chuvas nos próximos dias mantém o mercado em alerta.
Açúcar também sobe com oferta restrita
Os efeitos das chuvas também chegam ao mercado de açúcar. Os preços do cristal seguem em alta no estado de São Paulo, diante da menor disponibilidade do adoçante no mercado spot paulista e em outros estados produtores do Centro-Sul.
Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, na segunda quinzena de agosto, a produção de açúcar no Centro-Sul ficou abaixo da registrada no mesmo período de 2025, reforçando o cenário de oferta mais restrita.
Segundo pesquisadores do Cepea, os atrasos na colheita provocados pelas chuvas podem fazer com que algumas usinas prolonguem a moagem até fevereiro. Muitas unidades, no entanto, ainda planejam encerrar as atividades entre dezembro e janeiro.
Além dos impactos climáticos, a menor disponibilidade de cana nesta safra e o mix de produção ainda favorável ao etanol ajudam a limitar a oferta de açúcar.
Nesse cenário, o Cepea avalia que a disponibilidade do adoçante deve continuar restrita nos próximos meses, dando sustentação aos preços no mercado doméstico. Ao mesmo tempo, as limitações à moagem mantêm as cotações do etanol pressionadas no mercado paulista.