Quem chega a Porto Velho logo se depara com a imensidão do Rio Madeira. A paisagem costuma encantar quem vem de fora, mas para quem desembarca na capital por conta do futebol, o cenário nem sempre vem acompanhado de certezas, é uma terra fértil em oportunidades, mas nova. Foi exatamente esse o dilema vivido pelo goleiro Digão ao aceitar o desafio de atuar no futebol rondoniense.
Antes de acertar sua chegada ao Estado, o defensor enfrentou o ceticismo de pessoas próximas, que temiam o afastamento dos grandes centros do futebol nacional.
— No primeiro momento, a gente ficou meio receoso. Cheguei no meu pai, conversei, falei: poxa, mas vou estar indo lá pra Porto Velho, lá pra Rondônia. Tu vai ficar esquecido. Foi essa a palavra que usaram comigo, na verdade. E eu fiz ao contrário. Sempre tinha alguma coisa dentro de mim falando: vai, vai, vai. E daí eu aceitei e vim. Cheguei em 2023 — relembra o camisa 1.
Conquistas, identificação e raízes profundas
Se alguém dissesse ao atleta no início da caminhada que a cidade até então desconhecida se tornaria seu lar definitivo, o retrospecto parecia improvável. No entanto, dentro de campo, Digão empilhou boas atuações, pegou pênaltis decisivos e ajudou o Porto Velho a alcançar marcas históricas em competições estaduais e nacionais.
— Juntamente com todo o suporte do clube e dos meus companheiros, pude ajudar a contribuir para todos esses feitos históricos, não só dentro do clube, mas também para o estado de Rondônia — destaca.
O dito popular de que quem bebe a água do Madeira não vai mais embora se confirmou. Após rodar pelo futebol brasileiro e acumular passagem pela Europa, o arqueiro decidiu fixar residência na capital rondoniense. A identificação com o local ultrapassou as quatro linhas: Digão casou-se na cidade e agora aguarda a chegada do primeiro filho.
— Eu sempre falo pra todo mundo: hoje eu fiz a minha cidade. Em qualquer lugar que eu falo, digo que é a minha cidade, onde eu moro e onde criei raízes — afirma.
Devolução ao futebol e formação de novos atletas
Ciente do impacto que o esporte teve em sua própria trajetória — vindo de uma comunidade no Rio de Janeiro —, Digão decidiu estruturar um projeto para transmitir sua experiência à nova geração rondoniense através de uma escolinha especializada para goleiros.
— Eu vim de uma comunidade do Rio de Janeiro e sei o que o futebol fez por mim. Aí, sem pensar duas vezes, falei: vou abrir a Escolinha de Goleiros do Digão. Hoje a gente está pequenininho, mas creio que, se Deus quiser, a gente vai crescer. O meu intuito maior é tirar essas crianças das ruas e das telas, trazer um pouco do que aprendi na base e aplicar uma metodologia que faça a diferença no segmento deles, não só como atletas, mas como pessoas — conclui.