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Inteligência de dados pode transformar o agronegócio de Rondônia e ampliar a competitividade dos produtores, destaca economista

Durante entrevista ao RuralCast, na UNIR em Cacoal, professora Denize Silva explicou como a análise de dados, a economia aplicada e a inteligência artificial podem contribuir para decisões mais eficiente

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Economia, tecnologia e conhecimento como ferramentas para fortalecer o campo

O agronegócio brasileiro está diante de um cenário de profundas transformações, no qual produzir mais já não representa, isoladamente, garantia de competitividade. A capacidade de interpretar informações, acompanhar movimentos econômicos e transformar dados em decisões estratégicas tornou-se cada vez mais importante para produtores rurais, empresas e instituições públicas.

Esse foi um dos principais pontos abordados pela professora e economista Denize Silva, durante participação no RuralCast, do Grupo Amazun, em cobertura especial da segunda edição do Agro&Cont 2026, realizada na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), campus de Cacoal.


A entrevista foi conduzida pelo professor Charles Carminati e trouxe reflexões sobre o cenário econômico nacional e internacional, o desenvolvimento regional, a inteligência de dados e o papel das universidades na modernização do agronegócio.

Professora do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Agronegócios e Sustentabilidade (PPGAgro) e do curso de Ciências Contábeis, Denize possui formação em Economia, mestrado em Economia Regional pela Universidade Estadual de Londrina e doutorado em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo (USP).

Sua atuação acadêmica reúne métodos quantitativos, análise estatística e estudos voltados à tomada de decisão e ao desenvolvimento regional.

Agronegócio de Rondônia precisa olhar além da produção

Ao analisar o crescimento do agronegócio rondoniense, a economista destacou que o estado apresenta oportunidades importantes, especialmente relacionadas à expansão da atividade produtiva e à participação no mercado nacional e internacional.

Entretanto, alertou que decisões econômicas precisam considerar as particularidades regionais, evitando interpretações generalizadas sobre acontecimentos políticos e comerciais.

Para Denize, compreender quem compra a produção, quais mercados apresentam maior potencial e como as mudanças internacionais afetam efetivamente a economia local são etapas fundamentais para um planejamento adequado.

A professora também defendeu que o Brasil precisa avançar na agregação de valor aos produtos agropecuários.

Em vez de concentrar esforços exclusivamente na comercialização de matérias-primas, o país deve ampliar sua capacidade de transformação e industrialização, criando novas oportunidades econômicas e reduzindo a dependência de determinados mercados externos.

A estratégia pode contribuir para fortalecer cadeias produtivas regionais, estimular a geração de renda e ampliar a competitividade de produtos brasileiros.

Geopolítica e comércio exterior: nem todo impacto anunciado representa prejuízo real

Outro tema discutido foi a influência das decisões políticas internacionais sobre o agronegócio.

Durante a entrevista, Charles Carminati mencionou um levantamento solicitado à universidade para avaliar possíveis consequências de tarifas comerciais norte-americanas sobre a produção de soja de Rondônia.

Segundo o relato apresentado, a análise identificou que os Estados Unidos não eram destino relevante das exportações de soja do estado naquele contexto, indicando que os efeitos diretos das medidas poderiam ser diferentes daqueles inicialmente imaginados.

O exemplo reforçou a necessidade de investigar informações antes de construir cenários de crise.

Denize ressaltou que acontecimentos geopolíticos influenciam os mercados, mas seus efeitos não devem ser presumidos sem análise.

A professora defendeu que produtores e empresários procurem conhecer seus mercados consumidores e suas relações comerciais para avaliar corretamente os riscos e as oportunidades.

O pensamento econômico, nesse sentido, deve oferecer instrumentos para decisões baseadas em evidências, evitando que especulações se transformem em estratégias equivocadas.

Inteligência de dados: a diferença entre registrar informações e tomar decisões

Um dos momentos centrais da entrevista foi dedicado à inteligência de dados aplicada ao agronegócio.

Denize explicou que existe uma diferença fundamental entre possuir dados, transformá-los em informações e utilizá-los de maneira inteligente.

Como exemplo, mencionou os registros de precipitação de chuva. A medição realizada em determinado dia representa um dado isolado. Quando essas medições são organizadas ao longo do tempo, passam a fornecer informações sobre o comportamento das chuvas.

A inteligência de dados surge quando essas informações são relacionadas a outros indicadores, como produtividade, características do solo e resultados de safras anteriores, permitindo compreender padrões e orientar decisões.

Essa integração pode ajudar o produtor a planejar melhor suas atividades, reduzir desperdícios, organizar investimentos e buscar maior produtividade sem necessariamente ampliar a área utilizada.

Além dos benefícios individuais, a análise de dados pode apoiar políticas públicas, programas de crédito rural e iniciativas de desenvolvimento sustentável.

O desafio, segundo a economista, não está apenas em reunir grandes quantidades de informações, mas em conseguir interpretá-las corretamente.

Inteligência artificial não substitui conhecimento técnico

A participação da inteligência artificial no futuro do agronegócio também recebeu atenção especial.

Denize reconheceu que a tecnologia representa uma ferramenta poderosa para acelerar pesquisas, analisar grandes bancos de dados e ampliar a capacidade de processamento de informações.

No entanto, destacou que o conhecimento humano continua indispensável para compreender os resultados apresentados pelas ferramentas digitais.

"A inteligência artificial, nesse caso, seria uma ferramenta", explicou a professora.

Ela ressaltou que a aplicação de modelos estatísticos exige domínio técnico e compreensão das particularidades do setor estudado.

Uma análise equivocada pode comprometer decisões empresariais ou até mesmo políticas públicas que afetam inúmeras pessoas.

Por isso, o desenvolvimento tecnológico deve caminhar junto à formação acadêmica, à capacitação profissional e ao conhecimento da realidade produtiva.

A economista também destacou a importância da dedicação, da disciplina e da persistência no processo de formação dos profissionais que pretendem atuar com análise de dados.

Universidade e produtor rural precisam caminhar juntos

A aproximação entre o conhecimento acadêmico e a experiência prática do produtor rural foi outro destaque da conversa.

Denize reconheceu que a universidade possui ferramentas científicas importantes para estudar o agronegócio, mas enfatizou que as pesquisas precisam considerar o conhecimento adquirido diariamente por quem trabalha no campo.

"O produtor, ele tem um conhecimento que eu nunca vou ter", afirmou, ao reconhecer a importância da vivência prática na construção de soluções.

Segundo a professora, pequenas, médias e grandes propriedades apresentam necessidades diferentes, especialmente no acesso à tecnologia e na capacidade de investimento.

Dessa forma, soluções desenvolvidas por pesquisadores precisam ser acessíveis e compatíveis com a realidade de cada público.

A universidade pode contribuir com estudos, indicadores, ferramentas e metodologias, enquanto produtores e empresas oferecem informações práticas necessárias para orientar essas iniciativas.

A integração entre esses conhecimentos aumenta as possibilidades de produzir soluções efetivamente úteis para o agronegócio regional.

PPGAgro amplia oportunidades de pesquisa e desenvolvimento em Rondônia

Na parte final da entrevista, Denize destacou a importância do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Agronegócios e Sustentabilidade da UNIR.

O PPGAgro possui caráter interdisciplinar e reúne conhecimentos relacionados à economia, gestão, sustentabilidade, contabilidade e outras áreas ligadas ao desenvolvimento do agronegócio.

A professora enfatizou que a proximidade entre universidade, produtores, instituições públicas e organizações do setor produtivo representa uma oportunidade relevante para estudantes e pesquisadores.

Essa interação permite que investigações científicas sejam desenvolvidas a partir de problemas reais enfrentados pela sociedade.

Denize também incentivou economistas e profissionais interessados no agronegócio a buscarem formação continuada e participação em projetos acadêmicos.

O futuro do agro depende da capacidade de transformar conhecimento em resultados

A entrevista evidenciou que o futuro do agronegócio não depende exclusivamente de máquinas modernas ou de maiores volumes de produção.

O avanço do setor também exige organização, capacidade de planejamento, conhecimento econômico e utilização estratégica das informações disponíveis.

Para Rondônia, onde o agronegócio representa uma atividade importante para o desenvolvimento regional, a aproximação entre ciência, tecnologia e setor produtivo pode abrir caminhos para uma economia mais diversificada e sustentável.

A reflexão apresentada no RuralCast aponta para uma questão fundamental: não basta produzir dados ou adquirir tecnologias; é necessário transformar informações em conhecimento e conhecimento em decisões que gerem resultados concretos.

A entrevista integrou a cobertura especial do Grupo Amazun durante o Agro&Cont 2026, evento realizado em Cacoal, com participação de profissionais da contabilidade, pesquisadores, estudantes, empresários e representantes do setor agropecuário.



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